Sabe quando você e seu amigo estão no último andar do prédio e ele diz: vou subir. e você diz: faça isso não. E ele pega o impulso pra ficar no batente, entre o chão a 20 centímentro e o a 20 metros. Você pega na mão dele e diz: cuidado. Ele diz: preciso não. E vai.
Você o olha, amigos de verdade mostram o caminho que você acha que ele deve seguir, mas silência. O deixando escolher. A escolha é a amizade. Do mesmo jeito que ele escolheu você para chamar de amigo e virse-versa. Mas voltemos a história.
Estavam vocês. Último andar. Olhares. Respirações. Desprezo. Há momentos que é isso que sentimos. Parece até uma afronta? O que ele queria ganhar ali? Amigos aceitam como a pessoa é, se discordar: cai fora, mas antes de falar a frase-cicratriz: carinho enorme por ti, amigo. Mas numa relação como essa, longa, mágica, cabalistica. 7 anos. Você sabia exatamente o que o machucava, chegava até ser um pouco previsível algum dos atos e por discordar, e não cair fora, tenta mudá-lo e age. Ele, ignorando ou não, a sua tentativa, leva tudo até a última gota, até o último andar, mesmo sabendo que você só queria o bem.
Aí que acontece, olhos semi-cerrados, pés dançantes, flamegantes. Asas. Ele fica entre chãos. Ele não diz: você tem razão. Ele não diz nada, apenas estende o braço desesperadamente em sua direção e respira fundo. Tudo está com você.
Mas acontece que não é todo dia que estamos para bons samaritanos.